Por Favor... Me Ame! 18

Um conto erótico de Evan
Categoria: Homossexual
Contém 4182 palavras
Data: 04/07/2014 21:53:10

Capítulo 18: Um quarto para o fim.

Corre, Evan. Corre! Eu gritava para mim mesmo enquanto corria, desesperadamente, pela floresta. Tinha alguém correndo atrás de mim, suas passadas eram mais pesadas que as minhas e ele corria bastante rápido. Desviava das árvores que me cercavam, mas, ainda assim, acertava-as. Eu não poderia parar para tentar atirar nele – ou nela – a arma ainda estava na minha mão, mas não tinha boa mira. Não sei quando foi que eu comecei a ser seguido, se eu não tivesse hesitado tanto tempo limpando minhas facas de arremessos e chorando por ter matado três pessoas. Depois que a fúria abandonava o meu corpo, eu ficava menor do que já era, me sentia ínfimo comparado a qualquer coisa ao meu redor. Pois então, quando estava limpando o sangue, chorando e tentando, de todas as maneiras, não olhar para como a areia quente, ao passar do tempo, ficava cada vez mais vermelha. O ar me sufocava, estava tão denso e molhado, até mesmo para um dia agradavelmente quente, mas não era a umidade do ar, era o sangue. O cheiro embrulhava o meu estômago, fazendo que todo o seu conteúdo fosse até a minha garganta. Estava limpando a terceira, e última, faca quando escutei um farfalhar nas folhas do meu lado direito, a princípio eu pensei que pudesse ser o vento, mas depois eu percebi que não era isso. Meu rosto estava contra o sol, então não deu para ver qual era a cor da sua roupa. Me levantei em um pulo, e, sem pensar, atirei uma faca. Mas esse que vinha em minha direção desviou facilmente do projetil prateado. Eu via apenas uma tosca silhueta preta vindo em minha direção, por isso não sabia disser se era homem ou mulher que me perseguia. Vi que não adiantaria nada arremessar outra faca, então coloquei as outras duas no meu coturno e me embrenhei na mata.

Agora, corria como um louco, o medo e as lágrimas turvando a minha visão, me deixando tanto cego quanto amedrontado. Eu ainda nem tinha ido a procura dos meus irmãos, esperava, com todas as minhas forças, que eles ainda estivessem vivos. Estava pensando neles, quando meu pé enroscou em alguma coisa no chão. Não! Não! Não! Cai de cara no chão, mas rapidamente, me pus de barriga para cima, flexionei a minha perna e de lá peguei uma das facas, a minha arma estava presa no suporte e meu cérebro nem pensou nela. As folhas ao meu lado balançaram, me levantei, se fosse morrer que morresse lutando. Minha determinação quase falhou quando a imagem de Marvo explodiu na minha mente de maneira tão real e nítida que eu quase estendi a minha mão para tocá-lo. Estava com lágrimas nos olhos quando ele – sim, era um homem – saiu de algum lugar e veio na minha direção, mas viu que não jogaria a faca como fiz como a outra. Foi quando eu focalizei nas cores da sua roupa, um gemido dolorido saiu pela minha boca. Não eram meus amigos! Se eu não estivesse com tanto medo eu, com toda a certeza, acharia aquele cara atraente. Mais que atraente, estonteante. Seu rosto me lembrava vagamente Marvo, mas só em alguns traços. Como seu queixo por exemplo, quadrado e uma rala barba de pelos loiros pintavam aquela região. Brilhantes olhos verdes me encaram com fúria, tão venenosa que me deixava nauseado. Ele também me analisava, mesmo eu estando com aquela roupa ultraconservadora e que não mostrava praticamente nada, me senti nu sobre o seu olhar.

Ficando andando em círculos, nos avaliando de cima a baixo. O solo que já era fofo, ficava cada vez mais estável quando andávamos. Galhos quebravam sob nossos pés, folhas se estilhaçavam em pequenas partes laranjas no chão. Depois de tanto tempo nos observando o chão ficou tão mole e lamacento que tirar o pé daquela lama era praticamente impossível, eu os tirava com bastante esforço, o meu adversário com um pouco mais de facilidade. Mas ele também estava cansado, correr atrás de mim tinha o deixado fraco. Foi em uma dessas tiradas de pé da lama que eu fiz a minha primeira loucura. Não sei o aconteceu, acho que seu coturno ficou preso em alguma coisa escondida dentro daquela terra revirada. Ele se desequilibrou e eu aproveitei essa oportunidade para atacar. Desenterrei os meus pés e saltei, com a faca em riste. Acho que ele sentiu minha aproximação e levantou o rosto no momento que eu ia enfiar a faca na nuca dele. Mas em vez disso, o fio afiado da lâmina mordeu a pele da sua bochecha. Ele levantou a cabeça e o contato da faca parou, depois foi ele quem avançou sobre mim, em uma fúria descontrolada. A primeira coisa que ele fez foi tirar a faca de minha mão, segundos depois o que eu conseguia ver da faca era apenas o cabo, pois o resto estava profundamente enterrado.

O seu primeiro soco eu consegui bloquear, assim como o segundo. Mas em consequência meus braços ficaram tão doloridos que as lágrimas que estavam empoçadas em meus olhos, transbordaram. A partir do terceiro golpe já não tive tanta sorte, ele me deu um chute, pegou nas minhas coxas e eu fui arrancado do chão. O impacto da minha costa com a terra fez com que todo o ar que estava e meus pulmões, nem consegui respirar novamente quanto ele desferiu um chute no meu estômago. Acho que não desmaiei por causa da roupa, tinha bastante tecido até a minha pele, mas seu chute foi tão forte que me deixou atordoado. Com a cabeça turva eu ainda tentei acertá-lo, mas meus movimentos estavam tão lentos e desengonçados, que eu consegui só me balançar de um lado para o outro pateticamente. Ele sentou em cima de mim, me deixando ainda mais tonto, meus pulmões queimavam, não conseguia respirar! Duas mãos potentes se enrolaram em minha garganta e minha cabeça foi pressionada para trás, afundando na lama. Aranhava as suas mãos, freneticamente, minha boca se abria e fechava, mas nenhum som saia. Minha cabeça, que já estava enevoada, estava ficando cada vez mais caótica. Não conseguia pensar com clareza e nem escutar muito bem, meus ouvidos estavam cheios de lama. Olhei, desesperado, na direção do meu algoz, do meu futuro assassino e, se pudesse chorar, eu choraria. Mas em vez de parar de lutar e esperar que ele me mate, eu, não sei como, dei uma joelhada em sua virilha.

Enquanto ele me enforcava, eu continuava a me contorcer, foi assim que uma de minhas pernas não ficou mais sob ele. A joelhada aconteceu quando ele tentava capturar a minha perna novamente. Não foi tão forte, não estava com muita força para ficar esbanjando dando joelhadas em caras malvados, mas foi o suficiente para que o seu aperto em meu pescoço diminuísse e consegui respirar uma generosa lufada de ar novamente. Tossi bastante e me contorci mais um pouco, ele ainda estava sobre mim, me pressionando fortemente contra o chão lamacento. A lama que me ajudou também, espalmei minha mão no chão, fechei-a e uma grande quantidade de terra marrom, fedida e cheia de outras coisas, veio em minha mão. Nem hesitei, joguei nele, minha mirra era perfeitamente certeira para um novato. Suas mãos, que antes estavam em sua virilha, voaram para os olhos cheios de lama. Ele foi para um lado e eu fui para outro, ainda fiquei no chão, arfando, em busca de ar, para só depois me levantar. Meu cabelo que antes era vermelho, agora estava cor de merda e tinha até o cheiro da própria! Ele estava com os joelhos no chão. Levei minha perna esquerda para trás e, com toda a força que eu consegui juntar, impulsionei-a para frente. A ponta dura do meu coturno fez contato com sua cabeça, o som que se propagou depois ao mesmo tempo que foi gratificante, foi repugnante.

Ele caiu, inerte, no chão. E eu fiquei tremendo, sobre minhas duas pernas fracas. O local onde eu tinha acertado estava fundo. Mas como? Eu estava tão fraco, como consegui forçar suficiente para fazer aquilo? Talvez ele esteja vivo, mas mesmo quando pensei isso eu já sabia que não era verdade. Talvez eu tivesse morrido, isso! Eu estou morto, não pode ter outra explicação, para confirmar a minha teoria eu me belisquei. Não foi uma dor horrível, mas eu senti, uma pressão dolorosa na pele do meu antebraço. Não sei por quanto tempo eu fiquei ali, tremendo, mesmo estando quente como o inferno. Mas não poderia ficar muito tempo ali, mas estava tão dolorido que não aguentaria mais uma surpresa, ainda se fosse uma que envolvesse luta corporal com outra pessoa. Peguei a minha faca que estava enterrada em lugar próximo a minha direita e sai dali o mais rápido que podia. Aquilo estava me deixando louco, destruindo cada pequena célula boa do meu cérebro, eu nunca fui bom na luta corporal, mas eu tinha matado alguém com um chute, um chute apenas! Minha cabeça girava vertiginosamente, dando altas piruetas e profundas quedas. Acho que deveria está assim por causa do meu quase enforcamento. Me apoiei em uma árvore ao lado de mim, respirei fundo e, segundos depois, eu me arrependi de ter isso. Só deu tempo para que eu virasse a cabeça para o lado direito e deixar o vômito sair. Eu não tinha nada no estômago, as contrações eram violentas, mas, ainda assim, continuava a pôr para fora o que eu tinha no estômago, ou seja: nada. Se eu não tivesse sentado no chão (longe do local onde eu vomitei, é claro) eu não teria encontrado quem eu desejava desesperadamente ver mais uma vez: Marvo.

Escutei um farfalhar, já estava ficando paranoico com essas folhas, mas aquele não foi ocasionado pelo vento, mas sim pela ação do homem, mas especificamente, meu homem. Eu já estava bastante amedrontado, mas meu corpo reagiu imediatamente ao barulho. A faca que estava em minha mão em um momento, no outro, estava no ar. Ele desviou da faca, e veio como um touro na minha direção, eu como uma boa bandeira vermelha, que atiça o touro, desviei. Mas seus braços tinham quilômetros de extensão. Enrolaram-se em minha cintura, depois, em menos de trinta minutos, meu ar foi roubado dos meus pulmões, ele tinha me arremessado em direção a uma árvore. Gritei quando reconheci o seu rosto, segundos antes dele esmagar a minha cabeça com um super soco. Foi quando a compreensão trespassou pelo seu rosto, seus olhos se arregalaram quase no limite do impossível e seu punho caiu ao lado do corpo. Me atirei em seus braços, enrolei os meus, trêmulos, braços em seu pescoço e comecei beijar cada pedaço livre de pele que eu via.

— Marvo, Marvo, Marvo – Cantarolava, com a foz tão fraca quanto vidro fino. Falar o seu nome, tocar em seu corpo, sentir seu cheiro inebriante e beijar sua pele divina faziam com que aquele momento não fosse apenas uma ilusão, ele era real e estava bem na minha frente – Marvo! Ah meu Deus! Marvo, por onde você andou?! Onde estava?! Diga-me!

E comecei a chorar, quer dizer, já estava chorando, mas depois de vê-lo meu choro ficou tão intenso que eu pensei que meus olhos fossem saltar das orbitas. Tinha tanto tecido de sua camisa verde em minha mão, soluçava tão forte e intensamente, minhas costelas estavam prestes a explodir. Meu coração era uma bateria completa de escola de samba. Marvo estava falando alguma coisa, falando coisas demais, mas eu não o escutava, só conseguia ver seus lábios se movendo. Ele segurava as minhas mãos que estavam agarrando a sua camisa. Eu queria gritar para que ele me levasse dali, que me pegasse nos braços e guiasse-me até um lugar seguro. Mas ele não fez nada disso, ao contrário, ele tirou minhas mãos, que mais pareciam garras, de sua peça de roupa e tentou falar comigo. Olhei para o seu rosto e vi que ele não estava com nenhum aranhão, nem uma sujeirinha sequer. Enquanto eu estava com a cara enlameada, ensanguentada e machucada.

— Evan! Evan, olhe para mim! Evan! — Ele segurou meu rosto, me fazendo olhar diretamente para os seus olhos, mas minha respiração estava tão rápida e o sangue rugia ferozmente pelos meus ouvidos, que eu achei que desmaiaria – Lion, venha aqui! Evan, meu amor, sou eu, Marvo.

Com o canto do olho eu consegui ver Lion, e como ele estava perfeito, parecia que ele tinha acabado de sair do banho, meu choro ficou mais intenso. Por que nenhum deles estavam como eu?! Cade os seus machucados?! Eu queria gritar, mas um bolo da massa mais dura existente, me impediu. Eu estava todo acabado! Minha garganta se fechou, quase como se aquele homem estivesse me enforcando mais uma vez. Puxei minhas mãos, que estavam no peito de Marvo, balancei minha cabeça, de maneira brusca, e sai de perto dele, cambaleando, para cair de cara no chão. Escutei passos e depois fui virado para cima.

— Evan! Responde-me, Evan – O rugido em meu ouvido estava diminuindo, ficando menos intenso, com todo aquele sangue correndo rapidamente em minhas veias eu estava tão agitado que não conseguia pensar. Mas agora, com minha respiração ficando mais lenta e as batidas do meu coração ficando mais compassadas eu conseguia ouvir melhor – Evan! Porra, porra! Viu, Chaves?! Viu o que deu a sua ordem?! Caralho! Eu não queria deixá-lo sozinho, não queria, NÃO QUERIA!

- Acalme-se Marvo – Ouvi a voz suave e pausada de Lago, ele estava em algum lugar ao meu lado, não sabia dizer onde, já que eu olhava fixamente para cima. - Perder a cabeça agora não vai ajudar em nada...

— E você acha que eu não sei?! — Marvo estava bem ao meu lado, sua enorme presença era palpável, mas nem seu calor acolhedor me fez olhar para o lado que ele estava. Já estava mais calmo, mas desejei que ficasse agitado novamente. Agora eu podia sentir toda a dor, sem a adrenalina correndo alucinadamente pelas minhas veias, a dor era excruciante. Meu pé doía horrivelmente, meu pescoço estava em carne viva, minhas mãos tão rígidas e doloridas que eu parecia ter desenvolvido algum tipo de reumatismo precoce – Olhe para o rosto dele, Lago! OLHE! Tem sangue nele todo, está roxo e... e... Deus! Olhe o pescoço, o pescoço!

— Marvo, pare de gritar – Essa era a voz de Chaves, tão suave e encantadora, tão venenosa e peçonhenta. — Alguém pode nos ouvir. Idai se ele está machucado? Faz parte, e, no mais, para ele está cheio de marcas, ele, provavelmente, estava gritando por você.

Escutei um grunhido, passos e depois gritos. Chaves gritava, Lion e Lago também. As únicas coisas que eu conseguia escutar de Marvo eram seus grunhidos irados. Me levantei, mesmo com todo o meu corpo gritando, mas não tão alto quanto os quatro que se engalfinhavam como gatos de rua, a alguns metros de onde eu estava. Lago segurava, firmemente, Marvo para que ele não avançasse para cima de Chaves. Lion estava no meio dos dois, com os braços estendidos, e pedindo para que parrassem com aquela loucura. Eu ri com toda aquele maluquice, minha gargalhada soou quebradiça no primeiro instante, depois ela se intensificou e quando vi, já estava no chão novamente, só que dessa vez rindo como se o mundo fosse acabar. Marvo se virou na minha direção, me colocou sentado no seu colo e começou a alisar os meus cabelos, que deviam estar uma merda muito da grande.

— Evan? — Sua pergunta foi tão hesitante que eu explodi em mais uma gargalhada – Você está bem?

— Claro que estou – Respondi, depois que consegui controlar a minha crise de riso. Mas não era verdade, eu não estava nada bem, queria sair dali, meu corpo e minha mente já estavam no limite, isso não era para mim. No dia que eu concordei com isso eu devia está muito dopado com anestesias, só pode – É só que vocês me fizeram rir. Não pode mais rir?

— Onde você estava?

— Primeiro estava na piscina, sabe, mas depois teve um grande bum! — Respondi, fazendo gestos para que eles entendessem o que eu estava falando – Quase caia no rio novamente, acredita Lion? — Me virei para onde ele estava, seus olhos estavam estreitos de preocupação, mas, mesmo assim, ele assentiu – Pois bem, quase cai, mas não cai, salvei uma garota. O nome dela era Heide! Mas ela morreu, morreu na minha frente, o sangue – Notei quando os olhos de Marvo ficaram maiores – Levou um tiro, o sangue dela estava no meu rosto, na minha boca, em todo lugar!

— Evan? — Olhei para lago, sua voz me deu sono – Você está machucado? O que foi que houve com o seu pescoço?

— Meu pescoço? — Passei meus dedos lá e senti cinco elevações na pele – Ah! Foi um homem que tentou me enforcar, ele me afundou na lama. A lama fedia, Marvo – Disse especialmente para ele – Minhas mãos estão feridas, mas eu não sei como ficaram assim, meus pés estão me matando e... acho que é só isso mesmo. E Marvo?

— Sim?

— Por que me deixou sozinho no acampamento?

E foi quando ele me contou tudo. De como Chaves tinha ido, cedo, na barraca onde ele estava dormindo juntamente comigo e disse que era para ele se preparar que o ataque da parte deles começaria hoje. Marvo ainda estava um pouco adoentado e sonolento, mas, mesmo assim, saiu da barraca e me deixou, dormindo, sozinho. Chaves, antes disso, já tinha ido chamar Lago, mas Lion também tinha acordado, então ele também vestiu a roupa a prova de balas. Mas ele continuou contando, disse, que depois que estava completamente vestido e devidamente alimentado, Chaves separou todos os que estavam ali em pequenos grupos de quatro pessoas e foi despachando aos poucos. Marvo queria me acordar para que eu fosse junto com eles, mas Chaves colocou em sua cabeça que não demoraria nada, e que, em um piscar de olhos Marvo estaria do meu lado. Mas não foi isso que aconteceu, os alunos, depois que ouviram os primeiros tiros se desesperaram, e muitos viraram reféns, alguns morreram, como eu já sabia. Eu pedi para Marvo parar de falar, e encostei minha cabeça no seu ombro, estava tão cansado. Lion continuou, sem nem eu falar nada, e me disse que eles ainda foram atrás de mim no acampamento, mas eu não estava lá, alias nada estava mais lá, o local que antes era um grande acampamento, agora era um deserto negro.

— Eu estava tão preocupado, Evan – A voz sussurrada de Marvo enviou pequenas pontadas de energia através do meu corpo – Não saber onde você estava me deixou louco! Não saber se você estava vivo estava me levando a loucura.

— Era o mesmo que eu pensava – Respondi, seu hálito quente chamuscava os pelos do meu rosto – Estava tão preocupado com você. Na noite passada, quando nos deitamos, você ainda estava quente. Mas, quando acordei, do meu lado só tinha um local vazio e cobertores desarrumados. Foi terrível.

Dei um pequeno beijo nele, apenas um encostar de lábios. Os meus estavam secos, rachados, com gosto de terra e sangue, mas, mesmo assim, ele aceitou meus lábios de bom grado. Não sei por quanto tempo fiquei sentado em seu colo, sendo embalado pelas suas pernas e massageado pelas suas poderosas mãos. Só sei que Chaves nos mandou levantar pois já estava escurecendo, olhei para cima e confirmei o que ela tinha dito. O clima, que antes estava escaldante, agora estava frio.

— Marvo? — Eu andava ao seu lado. Lion e Lago mais na frente e Chaves em algum lugar atrás de nós. Ele deu um aceno de queixo para sinalizar que estava ouvindo – Você viu meus irmãos?

— Humm... não – Respondeu, e meu coração caiu para os pés. Uma estranha sensação começou a crescer no meu estômago, me deixando nervoso e suado – Mas não tenho certeza, vi tanta gente hoje. Mas espera ai. Lago?

— Sim? — Ele parou, Lion também e, escutei, que Chaves também – Fale, senhor.

— Você viu os irmãos de Evan?

— Não vi não, senhor – Respondeu, prontamente.

— Eu vi! — Olhei para trás. Chaves estava recostada em uma árvore – Eles estavam correndo na direção do portão, provavelmente foram embora.

— Não, não foram – Respondi, isso eu tinha certeza. Eles não tinham passado por aquele maldito portão! — Eu não os vi lá!

— Então devem está mortos – E com essa sua incrível frase, começou a caminhar.

Andamos por bastante tempo, desviando de árvores e tomando cuidado extra com o solo cheio de sulcos e buracos escondidos. Marvo não saia do meu lado, e eu queria que ele não fizesse isso, seu cheiro me acalmava, tocar em sua pele me fazia ter certeza que não estava morto. Vê-lo só fazia com que meu coração apreensivo ficasse um pouco melhor. Estava com o homem que amava, mas os meus irmãos estavam em algum lugar nessa confusão. Eu só esperava que eles estivessem vivos. Lago e Lion não se separavam um minuto, cada vez que eu olhava para eles, eu via como o sentimento de um para o outro era verdadeiro, tão profundo que era quase possível tocar. Lion era a liberdade adolescente desenfreada que faltava para a concentração anormal adulta de Lago. As vezes, quando eles pensavam que não estava olhando, Lago se portava como uma criança, ou como um adolescente. Alias, ele tinha apenas 25 anos, eu perguntei para Marvo e levei um baita susto quando ele disse isso. Fiquei ainda mais assustado quando percebi que eu não sabia a idade de Marvo. Eu não sabia! Serio, eu não poderia nem dizer que tinha me esquecido ou coisa do gênero, não! Eu não sabia mesmo! Como eu não poderia saber a idade do homem que me fodeu tão intensamente que eu pensei que fosse explodir? Que roubou meu coração? Que eu estou completamente apaixonado? Olhei para ele, com os olhos arregalados, e tentei falar.

— O que foi, Evan? — Vi preocupação em seu rosto, mas também vi um sorriso querendo aparecer – Quer falar algo?

— Eu... eu... eu queria, queria, q-q-queria – Gaguejava, não completava minha frase. Patético! Respirei fundo e, engolindo a vergonha – eu continuei – Eu queria te perguntar uma coisa... posso?

— Deve.

— Quantos anos você tem – Mandei rapidamente. E me surpreendi quando ele começou a rir – O que foi?

— Estava me perguntando quando você iria me perguntar isso. — Respondeu, ainda sorrindo.

— E então...? — Fiz um gesto com a mão, queria que ele me respondesse logo – Quantos?

— Eu tenho 28 anos, Evan – E me beijou. Não perguntei o motivo, um beijo bem dado é um beijo dado de surpresa, sem aquele anuncio todo antes – Onze anos mais velho que você.

— Eu vou fazer 18 daqui a algumas semanas – Disse depois que eu o beijei, depois que ele me beijou, alias – Então você vai ser apenas 10 anos mais velho.

Andamos por mais algum tempo e, enfim, chegamos na área principal da escola: o prédio da diretoria. Aquela parte era a única zona que era pavimentada, as estradas que levavam para os dormitórios, para as salas de aulas e outras dependências eram todas de terra batida. Mas aquela era de paralelepípedos, paralelamente colocados. A noite ainda não tinha caído totalmente, ainda conseguia ver uma mancha vermelha rosada no céu, mas a medida que andávamos, o véu negro da noite ia nos cobrindo. Fazendo com que o frio aumentasse, e aumentasse também, a sensação de nervoso. Marvo enrolou sua mão na minha, e cada vez que eu tremia por causa do frio (era o que eu dizia para mim mesmo e para ele) ele virava em minha direção e me mostrava um de seus irresistíveis sorrisos tortos. Aquilo simplesmente me desarmava e me deixava um pouco mais corajoso. Encontramos dezenas de corpo jogados no chão, o chão estava tingindo com o sangue derramado, a noite nem parecia que era vermelho, estava escuro, da cor do vinho mais forte. Mas o cheiro de ferro viciou o ar, deixando tão pesado que era quase como se está respirando debaixo d'água. Armas em punho, Lion e Lago iam lado a lado, Chaves estava mais lá na frente. Com a arma empunhada também. Não sei por que um corpo em particular me chamou atenção, era um soldado (do lado inimigo, vi as cores em sua camisa) ele fora morto com um tiro na cabeça. Estreitei os olhos para ver o que ele tinha na mão, o meu coração trincou quando meu cérebro fez a descoberta. Me soltei de Marvo e corri até lá, me ajoelhei ao lado do morto e, rudemente, retirei o chumaço de cabelo que estava em sua mão dura e morta.

A noite parecia com qualquer tipo de cabelo (preto, castanho, loiro, vermelho, até os tingidos) mas não era, era vermelho! Um vermelho intenso assim como os meus cabelos. Meus irmãos! Olhei para o lado e os cacos do meu coração estraçalharam tudo dentro de mim. Uma trilha de cabelos vermelhos partiam do homem-morto e ia até a entrada do prédio da diretoria.

Nem olhei para trás quando Marvo chamou meu nome. Corri naquela direção com um único pensamento em minha mente.

Por favor, que estejam vivos! Por favor, por favor, por favor!

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Comentários

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Eu também acho que o Lion ficou muito frio nesses capítulos. Eu acho que os irmãos do Evan devem ter saído de um outro jeito da escola que não foram os portões e devem ter deixado o Evan pra lá. E Alguém dá um tapa na cara dessa Chaves? Ô mulherzinha inconveniente. E cadê a policia? O Evan tinha pedido pros alunos chamarem a policia! Não gostei do Evan ter se tornado um assasino e acho que o Marvo morre no final. A cena da transa deles foi linda. É isso. Nota 1000

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Sabe ei gosto mto desse conto. Mas tem uma coisa q eu nao consigi entender. O pq q sepro o evan sofre mas. Ele sempre q leva a pior. Eeu nao entendo como o marvo caiu na labia de chaves. Em deixar o evan so. E bm o leon. Ele modou muito em relacao ao evan. E pq diabos td de ruim so acontece com ele. Ele tem complexo de maria do bairro e ? . E concerteza foi o junior q pegou os irmaos .

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O relacionamento com o Marvo está matando Evan. Eles poderiam dar um tempo. Evan poderia pensar mais no outro.

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Como sempre mais um capítulo incrível.Acho que eles não estão mortos,acho também que Junior os rapitou,pra se vingar do Evan.

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Incrível. Que os irmãos dele estejam bem.

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Eu acho que o junior os deve ter feito de reféns para se vingar do Evan porque o junior fez a promessa pra ele que ele ia matar o Evan e tenho certeza disso e acho que deve ter uma grande surpresa esperando por eles e eu so acho que a chaves fez isso com o Evan de proposito eu so acho que ela não gosta dele ou talvez pode ter feito para testar o mesmo porque talvez ela saiba que o Evan tem um grande potencial e pode ser um dos melhores soldados dentro daquele acampamento e so eu que to achando que o Lion ficou frio de uma capítulos pra cá com o Evan?

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