A História de Diego - 02

Um conto erótico de Kahzim
Categoria: Homossexual
Contém 1286 palavras
Data: 07/08/2013 12:43:33
Última revisão: 14/08/2013 01:01:17

Tudo aconteceu tão rápido que eu até hoje tenho dificuldades em lembrar os detalhes. O Eugênio saiu de mim tão rápido que senti um vácuo atrás. Ele subiu a roupa e saiu correndo em direção ao carro, esquecendo até as roupas. Minha lembrança seguinte foi ter minha cabeça colidindo com a parede do banheiro enquanto tentava vestir minha roupa.

- Que porra é essa, seu viado? Quer transformar minha casa em puteiro de bicha? - Gritou Ernesto na minha cara.

Se eu não tivesse aprendido a ser atrevido desde novo, provavelmente não estaria aqui hoje contando minha história. Segurei as mãos dele e o empurrei para o corredor. Enquanto ele se recuperava da surpresa eu subi meu calção e corri para a cozinha.

Fiquei zanzando pela cozinha pensando no que iria fazer diante daquela situação. Estava tão nervoso que nem pensei no óbvio de sair de casa e dar um tempo. Percebi o erro que cometi quando o Ernesto entra na cozinha com um pedaço de pau na mão.

- Você vai apanhar seu viado filho de uma égua. - Berrou avançando para mim.

A primeira paulada acertou meu braço de lado, senti uma dor enorme com o impacto, que foi forte o suficiente para me jogar contra o armário da cozinha. Me virei para correr e senti outro impacto nas costas que me fez cair. Foi a pior coisa que poderia ter me acontecido. Quando cai de costas ele acertou-me um chute na barriga. Senti o ar faltar no pulmão. Pensei sinceramente que ele iria me matar.

Até aquele momento eu não tinha dado nenhuma palavra. Mas o medo da morte me fez me virar de uma vez e levantar de um pulo tentando segurar aquele pau. Com um empurrão ele me fez cair de novo.

- Pensa que pode comigo, viado? Vai aprender a não dar mais o cu dentro da minha casa.

- Eu dou essa porra para quem eu quiser. Seu desgraçado. - Falei tentando levantar de novo e sendo novamente derrubado.

No meu desespero eu notei que ali do chão minha única chance era jogar a mesa da cozinha contra ele. Era uma mesa de madeira velha de quatro lugares, eu estava caído aos pés dela enquanto ele me chutava e dava pauladas. Miraculosamente, eu não tinha sangrado de forma nenhuma ainda.

Juntei as forças que me restavam e agarrando a mesa com ambas as mãos, lancei ela em cima dele. O maldito não esperava aquilo e quase caiu no chão. Como ele era forte, a mesa não o derrubou, apenas me fez ganhar tempo para me levantar completamente.

Ele jogou a mesa de lado quebrando uma das pernas da mesma. Eu estava diante dele em pé, ele ainda com o pau na mão e eu desarmado. Logo ele me derrubaria de novo. Corri os olhos apressados pela cozinha e percebi que bem do meu lado na pia da cozinha havia uma faca. Ele não notou e partiu para cima de mim. Em um único movimento peguei a faca e cravei no seu braço, enquanto levava mais uma paulada nas costelas.

Ele berrou alto e jorrou muito sangue. Soltou o pau e deu vários passos de costas até se apoiar na porta da cozinha. Eu fiquei ali segurando aquela faca e olhando para ele, sem saber o que fazer. Notei por breves instantes que ele tinha medo que eu o matasse. Confesso que isso me veio à mente, mas eu não sujaria minhas mãos assim com um rato como ele.

Não passaram dez segundos neste suspense e minha mãe entra na cozinha.

- Ernesto, pelo amor de Deus. O que foi isso, homem?

- Esse viado do teu filho. - Respondeu ele me apontando. - Peguei ele dando o cu no banheiro e ainda me esfaqueou.

Ela me olhou de forma tão implacável que soltei a faca no chão de medo.

- Mãe, eu. .. - Tentei explicar. - Ele estava me batendo.

- Vá embora dessa casa moleque. - Gritou Ernesto. - Ele tem que ir embora Diná. - Completou se dirigindo à minha mãe. - Ou ele vai embora ou vai você junto com os meninos todos.

A casa era dele. A raiva que minha mãe estava tendo de mim associada com a ameaça dele era mais que suficiente para ela me mandar embora. Senti um medo horrível dentro de mim. Eu morava de favor com aquele homem, minha mãe também. Ele a estava intimando a me mandar embora ou ir pra rua comigo. Eu tremi ao imaginar o que ela faria e logo minha suspeita se confirmou, sem tremer a voz ela se virou para mim e falou.

- Diego. Peguei seus trapos e vá embora dessa casa. Agora mesmo.

Ela mandou um dos meus irmãos correr na vizinha e pedir a ela para levar meu padrasto de moto ao hospital. Sai da cozinha em direção ao quarto em que dormia com todos os meus irmãos. As lágrimas me escorriam pelo rosto. Eram lágrimas de tristeza de abandonar minha mãe e irmãos, associada com lágrimas de raiva do Ernesto, de mim mesmo e deste mundo cão em que inventei de nascer.

Coloquei minhas melhores roupas na mochila, com as mãos tremendo. Verifiquei o dinheiro que tinha, oito reais. O que eu faria com aquilo? Mal pagava meu primeiro almoço fora de casa. Peguei minha escova de dentes, a pasta era coletiva, nem isso poderia levar. Sentei na rede em que dormia, sem acreditar que teria que sair de casa. Maldita hora que resolvi transar com aquele playboy filho da puta. Eu deveria procurar ele e obrigar a me socorrer.

Fiquei pensando a quem eu poderia pedir ajuda. A história ia correr pela comunidade toda, ninguém ali iria me abrigar, meu padrasto era muito querido. Pensei nos amigos da escola, sem chance de pedir ajuda a algum. Minha avó me daria abrigo, mãe da minha mãe, mas ela havia falecido no ano passado.

Eu era menor de idade, não poderiam me expulsar assim. Mas minha mãe também não tinha casa. Eu estava em apuros. Resolvi ir na casa de uma tia, irmã da minha mãe, que morava em outra comunidade, mas bem distante dali. O dinheiro daria ao menos para o ônibus. Meus pensamentos foram interrompidos pela entrada da minha mãe no quarto.

- Está esperando o que, seu puto. Como você apronta uma coisa dessas. Vai logo te embora que tem amigo do Ernesto querendo vingar ele.

O Ernesto tinha amigos traficantes e assaltantes. Ele mesmo devia fazer coisas do tipo, eu imaginava mas não tinha certeza. Percebi que a situação era difícil mesmo para mim. Peguei minha mochila e sai.

- Vou pedir pra ficar com a tia Das Dores. - Falei.

Ela não respondeu nada, apenas ficou dentro do quarto sem me encarar. Acho que ela chorava. Talvez quisesse se despedir de mim, talvez quisesse me dar um abraço forte e me dizer para ficar. Talvez quisesse dizer que me ama e que sempre seria minha mãe independente de qualquer coisa e só fazia aquilo por falta de opção. Mas ela nada falou, nada expressou. Nem seu rosto eu pude olhar ao me despedir.

Passei pela sala e vi todos os meus irmãos. Já haviam levado o Ernesto ao hospital. A Monique e o Vinícius, os mais novos, choravam. Meu irmão Clailton apenas me olhou com raiva, ele era muito apegado ao pai. Eu pensei em me despedir dos outros, mas o olhar de raiva do Clailton me fez apenas passar pela sala e sair para a rua.

Que adequado estar na rua, pois a partir daquele momento, a rua se tornou minha mãe, minha irmã, minha amiga e minha amante.

Continua...

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A História de Caio, completa e revisada para leitura on line e download e contos inéditos no meu blog:

http://romancesecontosgays.blogspot.com.br/a-historia-de-caio-leitura-on-line-e.html

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Comentários

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Nossa... Forte e tentador. Indo ler o próximo. Top!

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Dez, esse conto, não li a História De Caio porque não me agradou muito, a historia de Diego nossa.

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Muito bom. Ancioso pelo próximo capítulo.

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