Titanic - Capítulo Dois: Au Revoir, Mon Amour

Um conto erótico de Tony
Categoria: Homossexual
Contém 2101 palavras
Data: 30/06/2013 23:46:37

Por mais que as lembranças viessem e fossem, já fazia um ano que não via Kenneth. Thomas o conhecera no começo do último ano escolar, e como era de praxe, os alunos deveriam escolher uma língua estrangeira para começar a estudar. Havia várias aulas disponíveis, mas sua atração dupla acabou o empurrando para o francês. As atrações eram: o jeito diferente que os franceses falavam; Era um tom sério e ao mesmo tempo conquistador que conhecia e sabia pronunciar graças a sua curiosidade pelos livros. E a outra atração fora o professor que apresentava a matéria que iria ensinar. Cada professor tinha uma mesa com os livros, fotos dos lugares, e uma ficha para que os interessados pudessem se inscrever e tirar suas dúvidas. E além de gostar do idioma, gostou do jeito que foi tratado pelo professor. Assim que chegou a mesa, pegou um livro e começou a ler algumas palavras que conhecia e de repente ele chegou.

- Volume d'un. Langue française (Volume um. Língua Francesa) – Leu as palavras douradas na capa vermelha de um dos livros.

- Bonjour, je vois que vous connaissez déjà le langage. (Olá, vejo que já conhece o idioma.)– Disse se aproximando lentamente o professor vestindo um terno preto e gravata da mesma cor. O cabelo castanho claro levemente cumprido, partido ao meio e com uma das mechas pairando sobre o olho esquerdo.

- Oui, Je ne p-parle qu'un petit peu de français .(Sim, eu falo um p-pouco de Francês.) - gaguejou ao reparar nos olhos azuis e nos lábios que moviam enquanto falava.

- Eh bien, Je m'appelle Kenneth Nicholls, Ravi de vous rencontrer.((Bem, me chamo Kenneth Nicholls, prazer em conhecê-lo) – disse estendendo a mão.

- J-Je suis Stokes Thomas, le plaisir est pour moi.(E-eu sou Thomas Stokes, o prazer é meu) – Por uns segundos teve de se controlar para não rir do que estava falando. Era engraçado falar em outra língua a não ser a nativa.

- Bem – voltou ao idioma inglês – O que você acha de entrar para o curso de francês. Parece que você gosta dessa língua. - disse afastando a mecha para trás da orelha.

- Ainda não sei, estou vendo por aí. - respondeu quase mergulhando nos olhos azuis. - também gostei do italiano.

- Mas você fala tão bem. Poderia se aprofundar mais e quem sabe ir para a França.

Thomas deu uma risadinha e disse.

- Poxa Sr. Nicholls, não sei, mas qualquer coisa te procuro.

- Allez, accepte. Tu vas l'aime.(Vai, aceita. Você vai gostar) – pediu em francês novamente se colocando à sua frente de forma que não pudesse passar a não ser que aceitasse.

- Mais (Mas...)

- S'il vous plaît (Por favor...)

Thomas no fundo iria aceitar de qualquer forma, mas o jeito com que foi tratado foi tão bom que acabou aceitando antecipadamente.

- D'accord . Vous avez gagné. (Certo. Você venceu) – disse.

- A quoi bon. Tu vas l'aime (Que bom, você vai gostar)

Kenneth exibia um sorriso tão bonito que chamava atenção das meninas que se matriculavam na aula de língua portuguesa. Aparentava ter uns 24 anos, mas parecia jovem de mais para ser professor. Seus olhos azuis eram brilhantes e seu cabelo liso levantava voo ao sabor da brisa. Ficou ao seu lado o tempo todo enquanto Thomas escrevia seus dados na folha sobre a mesa. Parecia querer ter certeza que estaria em sua classe.

- Pronto. - disse entregando a folha ao professor.

- Ah, que bom. Aqui está seu material.

Kenneth entrega três livros de capas diferentes. Cada uma com a cor da bandeira da França. Os três volumes vinham junto com um dicionário e um caderno. Além de canetas, lápis e borrachas de origem francesa.

- As aulas começam a partir de amanhã. Então esteja pronto. - disse estendendo a mão novamente.

- Certo. Até mais. - cumprimentou apertando-lhe a mão enquanto equilibrava o material. -Au revoir ! - completou

- Au revoir ! - despediu-se

Á noite, enquanto escrevia em seu diário, pensava como seria a aula no dia seguinte. Tentava manter fora da cabeça a tentação que vinha ao pensar no professor. Além de ser proibido, estava compromissado a se casar com a filha de um dos sócios de seu pai nos Estados Unidos. Marylin passou três meses na Inglaterra para que se conhecessem. O casamento arranjado também fora uma promessa entre os pais, cujo desejo de união na empresa se cumprira e além do mais eram ótimos amigos, quase irmãos. Por outro lado, queria entender por que tinha esse sentimento pelo professor. Seu coração batia forte, ficava nervoso, perdia a fala...

- Por que senti isso por ele? - perguntava-se. - Parece o mesmo que sinto por Marylin.

A primeira aula fora um pouco cansativa, já que as lições eram dadas em salas diferentes, depois de todas as outras terem acontecido e geralmente iriam terminar ao inicio da noite. Mas com o passar do tempo foi se acostumando tanto ao tempo, quanto ao sentimento que estava tendo pelo professor. Depois de três meses, ambos já haviam se tornado amigos e Kenneth contara um pouco de sua história;

Kenneth era filho de uma família de classe média alta, porém com a morte do pai, quase perderam a casa. A mãe mesmo sem conhecer muita coisa tomou conta do pequeno restaurante que tinham e conseguiram manter a família a salvo. O irmão mais velho, Ron, assumiu tudo, pois as mulheres daquela época não eram bem vistas por se intrometerem nos assuntos que se dirigia aos homens e fora com a família viver em paz em uma fazenda ao norte da Inglaterra. Na verdade, Kenneth era inglês e seu pai era Francês e o interesse pelo idioma veio dele. Sempre fora ótimo na escola e faculdade então se formou antecipadamente na França, quando foi morar com seus tios. Depois de viver três anos lá, voltara para Londres onde estava a lecionar no colégio de Thomas.

A turma tinha vinte alunos e de todos Thomas era o que se destacava e com isso se tornou querido pelo professor. Kenneth o tinha também como amigo, pois gostava da simplicidade e companheirismo dele. O amor platônico que Thomas descobriu sentir por ele, e que tanto o perturbava, aumentou quando viajou e passou quatro dias na casa da família do professor. Depois de ir ao restaurante de Ron e provar da culinária francesa, Thomas sentiu-se como se tivesse ido parar na França imperial ao chegar à deslumbrante residência dos Nicholls. Mesmo com um quarto só para ele, no segundo dia acabou dormindo junto com o professor depois de muita conversa até tarde da noite. Mas no terceiro dia na viagem para casa, descobriu que no fim seu amor não seria real, pois na verdade Kenneth tinha uma namorada em Paris chamada Ravena. Aquilo esfriou um pouco seus sentimentos e quase o afastou, mas o amigo sempre encontrava uma maneira de se reaproximarem. Até que um dia não foi mais possível:

- Bem, meus alunos. Eu tenho uma notícia ruim. Infelizmente hoje será nossa última aula... - disse com a voz um pouco trêmula e arrancando manifestações em inglês e francês dos alunos. Thomas, pego de surpresa calou-se.

- Como assim? - perguntou uma das alunas.

- Ontem recebi um telegrama de Paris, onde me chamavam para voltar a lecionar na capital e isso coincide com a minha estadia por aqui também.

- Mas por que não me disse que isso poderia acontecer!! - as palavras saíram da boca tão rápida que até ele mesmo se assustou. Vendo que todos o olhavam assustados, abaixou a cabeça e segurou para não chorar.

- Desculpa, mas não queria que ficassem tristes – respondeu visivelmente triste.

A aula continuou em silêncio. Thomas sentia vergonha por ter quase se declarado e sabia que Kenneth havia percebido que tinha algo estranho. Enquanto copiava da lousa e mais errava do que acertava, tremia e pensava se algum dia tinha dado brecha para tal pensamento e só o que vinha a mente era que passavam muito tempo juntos e isso era a confirmação.

- Bem faltam cinco minutos para nossa aula acabar. - anunciou Kenneth.

A sala novamente se manifestava e alguns alunos foram abraça-lo. Thomas não encontrou coragem para se levantar.

Nossa como esses cinco meses se passaram rápido. - começou sentando na beirada da mesa. - Já tem dois anos desde comecei a lecionar e de verdade essa foi a melhor turma. Agradeço a todos que tenham estado em minha aula e espero que tenham aproveitado. Nossas aulas não terminam hoje, pois amanhã vocês continuarão com a Professora Milla.

Lá fora o sinal toca e depois de receber abraços e beijos e responder que passará na escola durante a manhã para buscar os pertences restantes, que incluiriam as mensagens dos alunos que deixariam, os alunos se despedem e vão embora. Thomas se levanta para poder se despedir direito, porém o passo seguinte o surpreendeu. Kenneth se aproximou e o abraçou fortemente. Thomas sentiu que iria desmaiar com tal ato, mas segurou firme retribuindo da mesma forma. Assim pode sentir o leve perfume que exalava de seu colete e ouvir o coração acelerado. Quando o largou, Thomas deixou visíveis suas lágrimas.

- Por que está chorando? - perguntou secando as lágrimas do rosto de seu aluno com o lenço do bolso.

- Desculpa Sr. Nicholls... Mas não gosto de me afastar das pessoas que amo...

- Por favor, quantas vezes tenho que lhe dizer para me chamar de Kenneth? - riu – Eu também, não gosto disso, mas infelizmente não posso fazer nada. - Disse enquanto apagava o quadro e se dirigia até a porta fechando-a em seguida.

- Queria que ficasse mais.

- Eu também. Mal parti e já gostaria de voltar logo. - agora abaixava as cortinas das janelas.

- Você voltará? - perguntou Thomas tentando manter a voz firme enquanto subia e sentava-se à mesa.

- Ainda é cedo para lhe dizer, mas espero que sim. Lamento por não lhe dizer antes, mas só fiquei sabendo por um telegrama ontem à noite e mal tive tempo para organizar tudo.

- Tudo bem. Mas as aulas não serão iguais. Acho que nada será igual.

- Como assim. Você vai se dar bem... - disse se aproximando da mesa

Thomas sentia que aquela era a hora para dizer logo o que sentia e aliviar o coração.

- Thomas, desculpa por deixá-lo tão triste.

- Kenneth... - Thomas pausou e sentia sua boca seca.

Seu coração parecia que ia explodir e que desmaiaria ali mesmo. Não tinha como escapar, iria dizer o que sentia e esperar a reação do professor, embora não soubesse o quê aconteceria. Mas quando as palavras formadas estavam prontas para serem pronunciadas, calou-se. Kenneth estava a poucos metros de braços cruzados esperando pelo fim da frase, mas o objeto em seu dedo, o anel prateado, era uma presença à parte. A imagem de Ravena veio à mente assim com o que Kenneth havia dito de ela ser sua namorada. As palavras se perderam e se misturavam a confusão que se formou. Thomas abaixou a cabeça e engoliu em seco. E as únicas palavras que saíram foram:

- Vou sentir muito a sua falta. Tenha uma boa viagem e, por favor, não me esqueça...

Thomas desce da mesa, junto com o material e corre para a porta da sala. Tentando não chorar e ao mesmo tempo ignorar os chamados de Kenneth que o seguia correndo.

- Thomas espere você deixou seu livro!

Com a mão na maçaneta e pronto para sair, Thomas pensou duas vezes antes de olhar novamente para aqueles olhos azuis. E de costas pediu para colocar dentro da mochila.

- Thomas, por que você age desse jeito? Não é a primeira vez que foge...

- Desculpa. Certas coisas não devem ser ditas. - respondeu olhando para a porta e ainda de costas para o professor. Suas orelhas ardiam e sentia os olhos de Kenneth penetrar em sua nuca.

- Por que não me olha? Fiz algo de errado?

- Não... Você não fez nada – disse trêmulo

Envergonhado, Thomas gira a maçaneta, mas antes que pudesse abrir a porta sente a mão de Kenneth o segurar pelo punho e o virar tão rápido que se assusta ao bater de costas na porta de madeira. A mão do professor forçava a porta a manter fechada, mas seu rosto continuava sereno. Os olhos azuis penetravam em nos olhos de Thomas que sentia o rosto vermelho.

- Desculpa por isso, mas espero que isso o faça feliz.

Sem aviso e demora, Kenneth se aproxima rápido e Thomas paralisado vê seu desejo se realizar. Kenneth o abraçou e antes que Thomas pudesse novamente tentar se declarar, tem sua boca calada pelos lábios macios e quentes do professor. E tão rápido como veio se foi. Suas bocas se encostaram e permaneceram assim por mais ou menos de cinco segundos, porém fora o suficiente para saber que eles guardavam algo em comum.

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Comentários

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Muito bom....

esse estória é excelente....

continue logo. por favor.

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