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Politicamente Incorreto - Capítulo 14

Categoria: Homossexual
Data: 11/05/2013 12:32:11
Nota 9.86
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Enfim, nesse perdido de pensamentos, ele se despediu dizendo que tinha que ir para a prefeitura para um compromisso já marcado para aquele sábado.

_É um compromisso inadiável. Aliás são dois, e para o segundo, o futuro senhor Brandão está convocado a participar._ Disse apontando para mim.

Eu? Mas nem trabalhava mais lá!

_Como assim?_ Tentei perguntar, mas ele já tinha ido, dentro daquele terno perfeitamente alinhado.

Capítulo 14

“Às 11h na sala de reuniões do gabinete, depois disso saímos para almoçar! Te amo, bjo!” Recebi essa mensagem mais ou menos uma hora depois que ele saiu.

Minha curiosidade não me deixava nem ficar encantado com o “te amo” no fim da mensagem. O que diabos ele poderia querer comigo na prefeitura, será que havia outra crise? Mas ele não demonstrou nada. Deixar alguém, como eu, curioso era quase uma tortura medieval. Das horas que passaram até o momento que iria para a prefeitura quase não pensei em outra coisa. Curiosidade maldita.

Ao sair de casa, lá estava ele, o motorista com aquela cara que condenava até o maior dos inocentes. 50% da minha curiosidade já estava destinada a descobrir o porquê daquele olhar.

_Por favor_ Ele fez menção de que eu entrasse no carro.

Fui, ainda que bastante desconfiado. Quando cheguei fui recebido por uma das simpáticas assistentes, que prontamente se dispôs a me acompanhar até a sala de reuniões. Por pouco não disse a ela que conhecia tudo ali, inclusive o chefe, melhor do que ela imaginava. Quando entrei ele estava à cabeceira da mesa, posição certa do rei de tudo aquilo. Mathias estava no lugar que vinha em seguida, certo, seu braço direito. Do outro lado, de frente para Mathias, o lugar estava vazio, enquanto o restante da mesa estava preenchida por toda a equipe de comunicação. Minha barriga sentiu o frio quando Bernardo levantou e solicitou:

_Bom dia Felipe, quanta honra tê-lo nessa prefeitura de novo. Melhor ainda agora que estamos em melhores circunstâncias. Senta por favor!_ Ele disse isso tudo olhando para mim com aquela cara característica de deboche que diz: “relaxa, só eu sei que você dormiu comigo ontem!”.

Não costumo ficar envergonhado, mas esse dia foi uma exceção. Apenas cumprimentei a todos com um aceno de cabeça, acho que não conseguiria dizer um “bom dia” naquela situação. Logo que sentei, ele continuou:

_Muito bem, senhores! Conforme as tratativas que já vínhamos tendo há algum tempo, gostaria de apresentá-los ao novo gestor de comunicação e imagem da prefeitura._ Ele disse apontando para mim. Como assim? _A partir de segunda-feira, o Sr. Felipe ocupa o cargo de confiança deixado pelo antigo gestor._

Estava pasmo e, não, não consigo imaginar minha expressão neste momento. Acho que ele percebeu.

_Pessoal, eu sei que vocês adorariam e que ele também ficaria muito honrado em fazer um discurso, mas convenhamos, hoje é sábado. Por isso estão todos dispensados e na segunda poderão trabalhar todas as dinâmicas de integração que forem possíveis._ Ele encerrou com um sorriso no rosto, aquele de tudo está perfeito.

Ao que ele terminou, de forma impressionante, todos se levantaram e saíram. Como se já soubessem de tudo. Claro! Certo que eles já sabiam.

_E então? Essa convivência com você está ou não me deixando genial?_ Aquele sorriso de vitória.

_Que cena foi essa aqui? Não, nem explica! É provável que isso vá deixar minha cabeça mais tumultuada ainda._ Acho que ele não esperava essa reação. _Espera, isso foi alguma forma de demonstrar poder? Sei lá, de me encurralar?

_Calma, eu não estou te entendendo! Nó vamos casar, quer forma melhor de podermos ficar perto um do outro?_ Ele perguntou argumentando.

_Não é assim que funciona!_ Eu já estava extremamente exaltado. _Bernardo, alguém te disse que eu tenho uma vida em outro lugar? Que eu tenho um emprego? Amigos? Uma casa?_ Questionei.

_Quer dizer que conseguir uma forma de nós ficarmos juntos não é prioridade também? É mais valoroso tudo o que você tem fora, é isso?_ Agora ele também já estava visivelmente irritado.

_Eu prezo pela minha liberdade._ Falei.

_Não foi isso que eu perguntei!_ Ele rebateu. _E mesmo assim, isso quer dizer que você não quer ficar comigo?_

Não sei muito bem quando isso aconteceu, não é muito fácil me persuadir, e continua não sendo. Mas aquela pergunta me atingiu como uma flecha no peito. Senti minhas lágrimas escorrendo pelo rosto, minha promessa de nunca chorar não valia mais. Abaixei a cabeça.

_Isso para mim não é uma noite, como foram as outras. É tudo muito grande, é uma vida que vamos construir juntos, e pelo amor de Deus, não me entende mal, eu quero isso mais que tudo. Mas sabe, mais cedo foram os filhos, agora essa mudança que caiu em cima de mim._ Olhei para cima, como se pudesse enxergar o céu através do teto que cobria a sala. _Eu acho que nunca senti tanto medo na minha vida._

Assim como tinha tido aquele despertar, as minhas palavras acabaram acertando ele da mesma maneira.

_Escuta..._ Ele disse prontamente segurando minhas mãos. _... nós podemos lidar com isso, juntos. Eu exagerei e, talvez, pudéssemos ter conversado sobre isso, mas não fiz por mal._ Ele tocou meu queixo com uma delicadeza, quase indescritível.

_Eu nunca te contei, mas eu vejo na tua imagem, tudo que eu sempre quis, e nunca consegui, apesar de tudo que eu tenho. Principalmente essa segurança, eu sei que você consegue, mas eu não tenho tanta certeza quanto a mim._ Terminei de falar baixinho.

_O que isso quer dizer?_ Ele perguntou sem soltar minha mão.

Trouxe sua mão até meu rosto, e senti seu perfume. Beijei-a.

_Eu te amo mais que tudo. Me desculpa! Eu preciso pensar._ E soltei, e saí.

.

Quando saí da prefeitura, caminhei por alguns minutos sem rumo. Sem saber bem o que pensar. Não tinha nem para onde ir. Depois daquilo, não tinha como ir para casa dele, onde estavam as minhas coisas. Entrei na igreja matriz. Apesar de não cultivar muito a religiosidade, principalmente por causa do que isso implica no caso de pessoas como eu, eu acreditava em um Deus que prezava pelo amor independente de qualquer coisa. Uma senhora caminhou em minha direção, era bem provável que fosse alguma beata responsável por cuidar do lugar.

_Veio em busca de tranquilidade, meu jovem?_ Ela disse de forma carinhosa.

_Desculpe, não pretendia incomodar._ Lamentei.

_Imagine! Não é incomodo nenhum, a casa de Deus está sempre de portas abertas para quem precisa de carinho e reconforto._ Ela completou de forma gentil.

_Não sei se este é um lugar tranquilo para mim, e nem se as portas estão sempre abertas. A igreja não aprovaria alguns dos meus comportamentos, ainda que eu não os considere errados._ Justifiquei.

_Meu filho, a igreja é constituída de pessoas que amam a Deus e que querem exercitar sua fé, porém essas pessoas são tão pouco sábias quanto qualquer outra. Eu e você somos iguais perante Deus. Portanto, vir aqui não significa ligação com a igreja ou qualquer condenação que ela poderia lhe propor, trata-se de uma ligação com Deus, e Ele é amor acima de todas as coisas._ Explicou-me com serenidade e tocou minha mão.

_Obrigado._ Disse ainda impactado com o tratamento que havia recebido.

_Sinta-se a vontade aqui. Reze e converse com Deus, somente ele pode te compreender e tem sabedoria para te julgar. Procure a serenidade nestes momentos, só assim poderá ser abençoado e receber a felicidade que, com certeza, lhe está reservada. Com licença, se me permite, preciso organizar tudo para a missa logo mais. Aliás, você está convidado._

Assenti com a cabeça. Não contei exatamente o tempo que permaneci ali, mas foi o suficiente para organizar alguns pensamentos e ficar mais tranquilo.

.

Quando finalmente senti segurança para sair, sentei-me em um banco a porta da igreja, à sombra podia observar toda aquela felicidade que acompanhava as pessoas que se divertiam ao sol, na praça em frente à igreja.

Será que eu era realmente digno daquilo tudo?

Olhei meu iPhone, não havia nenhuma chamada. Precisava conversar.

_Até que enfim notícias, pegou o príncipe-prefeito encantado e esqueceu que tinha vida?_ Vic atendeu no primeiro toque, quando disquei para ela.

_Faz só um dia que saí daí._ Acalmei-a. _Mas bem que parece uma eternidade por tudo que já aconteceu._

_Não gostei desse tom de voz, não parece que o aconteceu foi bom._ Agora ela já havia ficado séria. Nunca poderia conseguir uma amizade como essa, podíamos definir sentimentos em uma ligação, somente pelo tom de voz. _O que houve?_

_Você não vai imaginar..._

Coloquei-a informada de tudo que havia ocorrido, do aeroporto até a reunião, pouco tempo atrás. Ela me escutou sem dizer uma única palavra. Característico dela, saber ouvir. E saber falar.

_Eu estou completamente inseguro!_ Concluí.

_Conheço você assim, conheci há anos, exatamente como hoje. Sabe como superou tudo, não? É hora de decidir! Não posso imaginar o quão difícil é, mas só sei que é necessário. E então?_

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Próximo capítulo ainda em edição, sem previsão!

Comentários

12/05/2013 22:06:13
Felipe surtou, quando ele esfriar as ideias vai se entender com Bernado. Não precisa trabalhar juntos, dá pra enjoar.
11/05/2013 22:12:00
Maravilhoso.
11/05/2013 21:31:37
será que vc não pegou pesado demais? Entendo que vc está com medo e existem questões que ainda precisam serem resolvidas, mas sei lá. Fiquei com dó do prefeito-gato.
11/05/2013 18:23:49
Otimo!
11/05/2013 14:33:17
Mtu bom
11/05/2013 12:57:43
Mto bom. http://x-tudotudotudo.blogspot.com.br/

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